3.8.15

Gente



                                                                    @Carrie Vielle

Estou sequiosa no deserto que ninguém vê, são enganados pelo sorriso postiço que a carcaça coloca. Estou no poço que ninguém vê, onde olhos distraídos confundem a água negra com uma lagoa límpida. Ando aos tombos, farpas enterradas, escorro sangue e pinto o caminho que ninguém vê, onde há passos que o misturam com a poeira que se agarra aos sapatos. Estou caída exangue no campo de batalha sem fim que ninguém vê, mísseis caiem e desfazem-me em sangue, onde há passos que o misturam com a poeira que se agarra às botas em corrida pelo caminho
Estou só

4 comments:

Observador said...

Lá estou eu com a mania de ter dúvidas.
Li 'Estou só', sem ponto final, pergunto: a frase terminou ou ficou à espera do resto, do tipo estou só à espera do táxi?????

inconfessável said...

Com dúvidas legítimas. :)
Podia ter posto reticências, preferi não pôr nada.
Ela está à espera, nada está fechado. O ponto fecha qualquer hipótese, qualquer esperança, é assunto acabado.
Acho que a escrita pode acompanhar sentimentos e que as regras de pontuação podem ser quebradas. Não sou purista.

© Piedade Araújo Sol said...

nunca ninguém está completamente só.
é preciso saber sorrir para fora.
e chorar para dentro.
beijos
:)

inconfessável said...

É verdade, nunca se está completamente só.
Sorrimos sempre, quase todos.